Às 13h do domingo de 4 de outubro, enquanto milhões de brasileiros ainda votavam, a pesquisa de eleições no Google por “pesquisa presidente” atingiu seu ponto máximo de interesse no Google Trends. Quatro horas depois, às 17h, a atenção mudou: “eleições”, “presidente”, “Lula”, “Flávio Bolsonaro”, “apuração eleições” e “resultado eleições” chegaram ao pico.
Às 21h, a transformação estava completa: “segundo turno” atingia seu índice 100.
Em questão de horas, portanto, a necessidade de informação mudou de pesquisa eleitoral para apuração, resultado e, finalmente, para a próxima etapa da disputa presidencial. Para quem trabalha com SEO, é uma demonstração especialmente clara de que comportamento de busca não é estático: a intenção muda conforme os acontecimentos avançam.
Essa sequência aparece nos dados que exportei do Google Trends em 7 de outubro para produzir esta análise. E reforça algo que venho destacando há alguns anos: SEO não trata apenas de escolher palavras-chave. Trata de entender o que as pessoas querem saber, por que querem saber e em que momento essa necessidade aparece.
As eleições no Google em 2026 ainda acrescentam uma camada que tinha peso bem menor em ciclos eleitorais anteriores. Hoje, a descoberta de informação não acontece somente nos resultados orgânicos tradicionais. Ela também passa por AI Overviews, Modo IA, Gemini, ChatGPT e outros mecanismos generativos.
Resumo: o que descobrimos sobre as eleições no Google?
- “Eleições” cresceu 900% no Google na semana do primeiro turno e mais de 5.000% em relação ao mesmo período do ano anterior.
- “Presidente” aumentou 250% na comparação semanal.
- “Lula” cresceu 180% e “Flávio Bolsonaro”, 200%.
- Às 13h de 4 de outubro, “pesquisa presidente” chegou ao índice 100 do Google Trends.
- Às 17h, quando a votação terminou e começou a apuração, buscas sobre eleição, candidatos, resultado e apuração atingiram o pico.
- Às 21h, “segundo turno” chegou ao seu índice máximo.
- Os dados revelam uma mudança muito rápida da intenção de busca dentro de um mesmo acontecimento.
- No ambiente das IAs, as palavras-chave convivem com perguntas completas sobre candidatos, funções, notícias, partidos e processo eleitoral.
- Para empresas, a principal lição é acompanhar não apenas volume, mas também velocidade da demanda, intenção, fontes e visibilidade nas respostas geradas por IA.
Como as eleições 2026 movimentaram as buscas no Google?
O tamanho do interesse aparece antes mesmo de analisarmos cada consulta isoladamente.
Nos sete dias ao redor do primeiro turno, “eleições” foi o segundo termo de maior destaque no Google no Brasil, atrás somente de “clima”. Lula apareceu em sexto lugar entre os assuntos pesquisados, enquanto Flávio Bolsonaro ficou em 20º. Cargos como deputado estadual, deputado federal e senador, além do termo “resultados”, também apareceram entre os destaques do período, segundo levantamento repercutido pelo SBT News.
Esse interesse eleitoral no Google não começou em 2026. Quando analisei o comportamento das pesquisas nas eleições municipais de 2024 usando o Google Trends, já era possível perceber como debates, candidatos e acontecimentos políticos alteravam rapidamente a demanda por informação.
Em 2022, o fenômeno havia sido ainda maior em escala nacional. Segundo o próprio Google, as eleições foram a principal tendência de pesquisa daquele ano no Brasil, e os recursos eleitorais desenvolvidos para a Busca foram visualizados quase 240 milhões de vezes ao longo dos dois turnos.
Agora, os dados que levantei para 2026 permitem observar a intensidade dessa movimentação:
| Termo analisado | Variação sobre a semana anterior | Variação anual | Pico nos últimos 90 dias |
|---|---|---|---|
| eleições | +900% | mais de +5.000% | 4 de outubro |
| presidente | +250% | +1.300% | 4 de outubro |
| Lula | +180% | +2.100% | 4 de outubro |
| Flávio Bolsonaro | +200% | mais de +5.000% | 4 de outubro |
Fonte: Google Trends. Levantamento da Agência Henshin realizado em 7 de outubro de 2026.
É importante fazer uma primeira ressalva metodológica: esses percentuais representam mudanças no interesse relativo de busca. Eles não significam, por exemplo, que um crescimento de 900% corresponda diretamente a nove vezes determinado volume absoluto conhecido de pesquisas.

A intenção de busca mudou em questão de horas
Talvez a descoberta mais interessante desta análise apareça quando saímos do período de 90 dias e observamos os dados intradiários exportados do Google Trends.
Os arquivos mostram pontos em intervalos de quatro horas. No domingo da votação, a sequência foi esta:
| Horário em 4/10 | Pesquisa em destaque | Índice Google Trends | Contexto do momento |
|---|---|---|---|
| 13h | pesquisa presidente | 100 | votação em andamento |
| 17h | presidente | 100 | encerramento da votação |
| 17h | eleições | 100 | início da apuração |
| 17h | Lula | 100 | início da apuração |
| 17h | Flávio Bolsonaro | 100 | início da apuração |
| 17h | apuração eleições | 100 | início da apuração |
| 17h | resultado eleições | 100 | início da apuração |
| 21h | segundo turno | 100 | cenário eleitoral já mais claro |
Fonte: CSVs exportados do Google Trends em 7 de outubro de 2026. Horários apresentados no fuso de Brasília.
A concentração das buscas às 17h faz sentido quando confrontamos os dados com o acontecimento real. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, a votação ocorreu das 8h às 17h pelo horário de Brasília e a divulgação da apuração presidencial começou justamente às 17h.
Antes disso, às 13h, “pesquisa presidente” já estava no máximo de interesse relativo. No mesmo recorte:
- “apuração eleições” registrava índice 19;
- “resultado eleições”, 24;
- “segundo turno”, 16;
- “eleições”, 34;
- “Flávio Bolsonaro”, 45;
- “Lula”, 63.
Quatro horas depois, “apuração eleições”, “resultado eleições”, “eleições”, Lula e Flávio Bolsonaro chegavam a 100.
Às 21h, “pesquisa presidente” já havia caído para 28, enquanto “segundo turno” atingia 100.
Não podemos afirmar que estamos acompanhando a jornada individual de um mesmo eleitor. O Google Trends trabalha com dados agregados. O que os números permitem observar é uma mudança na demanda coletiva por informação.
E isso oferece uma aula de como usar Google Trends em uma estratégia de SEO: um mesmo acontecimento pode gerar intenções completamente diferentes conforme avança.
Apuração, resultado e segundo turno mostram qual é a próxima pergunta
As consultas relacionadas aprofundam essa leitura.
Ao analisar o termo “eleições” no Google Trends, encontrei entre as pesquisas mais frequentes:
| Consulta relacionada | Crescimento |
|---|---|
| resultado eleições | +650% |
| eleições resultado | +650% |
| eleições apuração | +4.450% |
| apuração eleições | +4.400% |
| apuração | +4.250% |
| resultados eleições | +3.850% |
Outras consultas, como “resultados das eleições 2026 em tempo real”, “apuração ao vivo eleições 2026” e “apuração eleições 2026 presidente”, foram classificadas pelo Google Trends como “Aumento extraordinário”.

Na documentação da ferramenta, o Google explica que essa indicação é usada para consultas que cresceram mais de 5.000% no período analisado. A explicação completa está na documentação oficial do Google Trends.
É aqui que uma palavra-chave começa a se transformar em um cluster de intenção.
Quem pesquisa “eleições” pode, pouco depois, precisar saber:
- quem está ganhando;
- como funciona a apuração;
- onde acompanhar os votos ao vivo;
- qual foi o resultado;
- se haverá segundo turno;
- quando será o segundo turno;
- por que existe segundo turno;
- o que significa um conceito eleitoral citado durante a cobertura.
Essa dinâmica ajuda a explicar por que a criação de dezenas de páginas quase idênticas para cada pequena variação de palavra-chave perdeu muito do sentido. Uma estratégia melhor é criar conteúdos capazes de responder a grupos coerentes de necessidades, com boa arquitetura, clareza e contexto.
A busca por informação não termina na página de resultados
Outro comportamento curioso apareceu durante a apuração.
A procura por rádio cresceu justamente a partir das 17h. Segundo dados divulgados pela ACAERT, plataformas de rádio digital registraram forte aumento de audiência durante o domingo, especialmente a partir do início da contagem dos votos. Consultas envolvendo termos como “ao vivo”, “FM ao vivo” e “online” acompanharam o movimento.
Isso mostra algo importante para o marketing: a busca frequentemente é um meio, e não o destino.
O usuário pode recorrer ao Google para encontrar uma transmissão, um vídeo, uma emissora, uma notícia, uma ferramenta, uma página oficial ou qualquer outra fonte capaz de resolver sua necessidade naquele instante.
É por isso que avaliar uma estratégia apenas por posição média pode esconder parte do comportamento real. SEO precisa ser conectado à experiência posterior: clique, navegação, conversão, consumo da informação e relacionamento com a marca.
Essa lógica também aparece quando falamos de conteúdo que converte. Tráfego e visibilidade são importantes, mas precisam estar conectados a uma necessidade real do público e a alguma função dentro da jornada.
Lula e Flávio Bolsonaro também dispararam nas pesquisas

Os dois candidatos que avançaram ao segundo turno apresentaram crescimento expressivo durante a semana analisada.
“Lula” registrou alta de 180% na comparação com a semana anterior e 2.100% sobre o mesmo período do ano anterior. “Flávio Bolsonaro” cresceu 200% semanalmente e mais de 5.000% na comparação anual.
As próprias consultas relacionadas começaram a aproximar os dois nomes. Nas pesquisas associadas a Lula aparecem referências a Flávio Bolsonaro. Nas relacionadas a Flávio aparecem Lula, pesquisas eleitorais, segundo turno, quem está à frente e quem ganhou.
Isso acompanha o resultado oficial. Com 99,99% das urnas apuradas, Flávio Bolsonaro recebeu 47,03% dos votos válidos e Lula, 45,16%. Os dois disputarão o segundo turno em 25 de outubro, segundo o Tribunal Superior Eleitoral.
Existe, porém, uma distinção metodológica indispensável: os gráficos que exportei foram consultados individualmente.
Por isso, 100 para Lula não pode ser comparado diretamente com 100 para Flávio Bolsonaro. O índice 100 representa o pico do próprio conjunto de dados analisado, e não determinado número absoluto de buscas.
Google Trends não é pesquisa eleitoral
Esse é provavelmente o alerta mais importante de todo o estudo.
Quando publiquei a análise das eleições de 2024, já destaquei que Google Trends mede atenção e interesse de pesquisa, não intenção de voto. A ressalva continua válida em 2026.
O próprio Google explica a metodologia do Trends: as pesquisas utilizadas são normalizadas de acordo com período e localização e depois representadas em uma escala de 0 a 100.
O valor 100 significa o ponto de maior interesse relativo naquele conjunto específico de dados. Não representa 100 pesquisas, 100 mil pesquisas ou qualquer outro volume absoluto público.
Além disso, não sabemos por que cada pessoa pesquisou determinado candidato. Alguém pode procurar um nome porque:
- pretende votar nele;
- pretende votar contra ele;
- viu uma notícia;
- quer conhecer sua trajetória;
- assistiu a uma entrevista;
- quer verificar uma informação;
- está curioso sobre o resultado.
Apoio, rejeição, curiosidade, notoriedade e controvérsia podem gerar exatamente a mesma ação: uma pesquisa.
Portanto, não é metodologicamente correto usar Google Trends para prever sozinho o resultado de uma eleição.
Das palavras-chave aos prompts: como as eleições aparecem nas IAs?
As eleições no Google contam apenas parte dessa história.
Também analisei no Semrush uma amostra de prompts relacionados à Presidência da República, às eleições e aos candidatos. E aqui aparece uma mudança interessante na forma de procurar informação.

Os prompts encontrados podem ser agrupados em diferentes tipos de intenção:
| Tipo de intenção | Exemplos presentes na amostra |
|---|---|
| Conceitual | “Presidente: definição e funções”; “o que faz um presidente” |
| Institucional | “Quais fontes oficiais descrevem as funções do presidente?” |
| Eleitoral | “candidatos à presidente”; “candidatos para presidente 2026” |
| Comparativa | Perguntas envolvendo Lula e Flávio Bolsonaro |
| Entidade | “qual partido do Bolsonaro”; “Bolsonaro biografia”; “Lula formação” |
| Noticiosa | “Quais são as notícias mais recentes sobre Flávio Bolsonaro?” |
| Processo eleitoral | Perguntas sobre apuração e acompanhamento dos votos |
Essa amostra não deve ser interpretada como volume populacional de prompts. O Semrush está mostrando consultas monitoradas em mecanismos generativos, não dizendo que determinada pergunta foi feita por determinada porcentagem dos brasileiros.
Mesmo assim, o contraste é útil.
No mecanismo de busca tradicional, alguém pode digitar:
“apuração presidente”
Em uma interface conversacional, a mesma intenção pode surgir como:
“Como funciona a apuração da eleição presidencial brasileira e onde posso acompanhar os resultados oficiais em tempo real?”
A necessidade é semelhante. O formato da consulta mudou.
É uma das razões pelas quais uma boa estratégia de otimização de conteúdo para Google e inteligência artificial precisa olhar menos para repetição mecânica da palavra-chave e mais para intenção, estrutura, entidades, respostas diretas, evidências e relações semânticas.
As inteligências artificiais já fazem parte do ecossistema eleitoral
O próprio Google reconheceu essa mudança na preparação para as Eleições 2026.
A empresa informou que pesquisas sobre votação e resultados poderiam exibir informações oficiais do TSE na Busca, enquanto o Modo IA utilizaria informações de fontes consideradas autoritativas para produzir respostas generativas. No Gemini, respostas sobre esses temas também deveriam apresentar links para fontes oficiais.
Depois do início da apuração, os resultados exibidos na Busca seriam baseados em dados do TSE fornecidos em tempo real por meio da Reuters. Os detalhes estão no comunicado oficial do Google sobre sua preparação para as eleições brasileiras.
Há ainda uma questão adicional: o comportamento dos próprios chatbots diante de temas políticos.
Um estudo do InternetLab, LabDados/FGV e Rede Conhecimento Social testou ferramentas como ChatGPT, Claude, Copilot, DeepSeek, Gemini, Google AI Mode, Grok e Meta AI. Em uma primeira rodada controlada, foram realizadas 1.679 conversas e 18.360 turnos.
Os pesquisadores observaram diferentes formas pelas quais os sistemas relacionavam características apresentadas pelo usuário às candidaturas, embora o comportamento variasse entre as plataformas.
Outra investigação, realizada pelo ITS Rio no projeto Boca de IA, analisou ranqueamento, priorização de candidatos, fontes e qualidade das respostas produzidas por sistemas generativos.
Para o propósito deste artigo, não é necessário concluir que uma IA “decide” eleições. A constatação relevante para marketing e busca é mais objetiva:
o usuário passou a poder receber uma resposta sem necessariamente percorrer primeiro uma lista tradicional de links.
SEO ainda conta quando a inteligência artificial responde?
Sim.
E essa conclusão não depende apenas da opinião de profissionais do mercado.
O próprio Google afirma, em sua documentação sobre recursos generativos, que os fundamentos tradicionais de SEO continuam sendo relevantes para AI Overviews e Modo IA. Conteúdo útil, indexável, acessível, estruturado e conectado corretamente dentro do site continua sendo necessário para que os sistemas de busca possam encontrá-lo e compreendê-lo.
Essa relação entre SEO e inteligência artificial fica mais fácil de visualizar com dois conceitos.
RAG
RAG é a sigla para retrieval-augmented generation. Em linhas gerais, significa combinar geração de texto com recuperação de informações externas que ajudam a fundamentar uma resposta.
Query fan-out
No chamado query fan-out, uma pergunta pode gerar automaticamente múltiplas pesquisas auxiliares. Em vez de depender somente da frase original, o sistema explora aspectos relacionados antes de construir a resposta.
O guia do Google para recursos de IA na Pesquisa explica como essa recuperação ampliada participa das novas experiências generativas.
Imagine, por exemplo, uma pergunta como:
“Quem está mais preparado para governar o Brasil?”
Uma resposta ampla pode depender da recuperação de informações sobre propostas, experiência política, trajetória, economia, segurança, saúde, declarações recentes e notícias.
A palavra-chave isolada perde parte do protagonismo. Mas conteúdo encontrável, compreensível, bem estruturado e sustentado por fontes continua sendo a matéria-prima da descoberta.
É nesse ponto que também entra a visibilidade em IA. A questão deixa de ser apenas “minha página está em determinada posição?” e passa a incluir perguntas como “minha marca é mencionada?”, “meu domínio é citado?”, “quais páginas estão servindo como fonte?” e “como apareço diante dos concorrentes?”.
O que as eleições no Google ensinam às empresas?
Eu gosto de usar acontecimentos muito grandes como laboratórios de comportamento digital porque eles tornam movimentos normalmente discretos muito mais fáceis de enxergar.
Já fiz isso ao analisar as buscas relacionadas ao show da Madonna no Brasil. O evento cultural gerou uma explosão de curiosidade e mostrou como acontecimentos de grande repercussão podem criar novas demandas quase instantaneamente.
Depois, apliquei raciocínio semelhante ao analisar as buscas pelos candidatos à Prefeitura de São Paulo durante as eleições municipais.
A eleição presidencial de 2026 leva essa lógica um passo adiante porque acrescenta uma superfície que ganhou enorme relevância nos últimos dois anos: as respostas generativas.
Para uma empresa, eu resumiria o aprendizado em sete pontos:
- Acompanhe velocidade, não apenas volume. Ferramentas tradicionais mostram demanda consolidada. O Trends ajuda a identificar quando o interesse está acelerando.
- Observe a mudança de intenção. “Pesquisa presidente”, “apuração”, “resultado” e “segundo turno” fazem parte do mesmo acontecimento, mas respondem a necessidades diferentes.
- Trabalhe clusters de informação. Em vez de uma URL rasa para cada variação de consulta, organize respostas relacionadas dentro de conteúdos completos quando a intenção permitir.
- Atualize o conteúdo enquanto o assunto evolui. Uma página relevante pode ganhar dados, respostas e novos blocos conforme surgem perguntas diferentes.
- Estruture a informação. Headings claros, tabelas, listas, respostas objetivas e fontes explícitas beneficiam leitura humana e recuperação automatizada.
- Use fontes primárias. Quanto mais sensível ou factual o assunto, maior a importância de dados originais, documentação oficial e metodologia transparente.
- Meça além da SERP tradicional. Impressões, cliques, sessões e rankings continuam importantes, mas podem ser acompanhados por citações, menções e cobertura de prompts em sistemas de IA.
Isso também reforça uma ideia central de Marketing de Conteúdo: assunto em alta não deve ser confundido com pauta relevante para qualquer empresa.
Uma tendência só vale o investimento quando existe alguma relação legítima entre o assunto, a audiência, a autoridade da marca e os objetivos do negócio.

Das eleições no Google à IA: SEO virou acompanhamento contínuo da demanda
O dado que mais me chamou atenção nesta análise não foi uma porcentagem isolada.
Foi o relógio.
Às 13h, o pico estava em “pesquisa presidente”. Às 17h, estava em eleição, candidatos, apuração e resultado. Às 21h, o máximo já havia migrado para “segundo turno”.
A transformação aconteceu dentro de aproximadamente oito horas.
Esse é um exemplo extremo porque uma eleição mobiliza milhões de pessoas simultaneamente. Mas o princípio vale também para mercados muito menores.
Uma nova regulamentação pode criar buscas que não existiam na semana anterior. Uma mudança tecnológica pode alterar o vocabulário utilizado pelo cliente. Uma notícia pode gerar uma pergunta comercial. Um produto pode criar uma nova categoria. Uma tendência pode fazer uma consulta desconhecida começar a aparecer no Search Console.
A função de quem trabalha com SEO não deveria ser apenas abrir uma ferramenta uma vez por mês e escolher termos com maior volume.
Precisamos observar como a demanda nasce, como muda e como as pessoas reformulam suas perguntas.
A inteligência artificial torna essa leitura ainda mais importante. Hoje, a mesma pessoa pode pesquisar no Google, pedir uma comparação ao ChatGPT, consultar Gemini, assistir a um vídeo e depois procurar diretamente uma marca.
É por isso que AIO e otimização para mecanismos de inteligência artificial não deveriam ser tratados como substitutos do SEO.
São partes de um ambiente de descoberta que ficou mais fragmentado.
As eleições no Google em 2026 tornam essa transformação extremamente visível. Primeiro, a população quis saber sobre pesquisas eleitorais. Depois quis acompanhar a apuração. Em seguida, quis conhecer o resultado. Horas depois, já queria entender o segundo turno.
Para empresas, a pergunta é a mesma em uma escala menor:
quando alguma coisa muda no seu mercado, você consegue identificar o que seu público começou a perguntar antes dos concorrentes?
Se consegue, existe uma oportunidade de conteúdo.
Mas ela não depende apenas de publicar rápido. Depende de responder melhor, demonstrar experiência, organizar informação, citar evidências, atualizar o material e conectar visibilidade a um objetivo real do negócio.
É assim que SEO deixa de ser uma disputa isolada por palavras-chave e passa a funcionar como inteligência contínua de demanda.
Se a sua empresa precisa estruturar uma estratégia que combine SEO, pesquisa de palavras-chave, produção de conteúdo, Google Trends e visibilidade em inteligência artificial, fale com a Agência Henshin.
Perguntas frequentes sobre eleições no Google
Na semana do primeiro turno, “eleições” ficou em segundo lugar entre os assuntos de maior destaque no Google no Brasil, atrás apenas de “clima”. Lula, cargos eletivos, resultados e Flávio Bolsonaro também apareceram entre os principais assuntos pesquisados no período.
O índice 100 representa o ponto de maior interesse relativo por um termo dentro do período e região analisados. Ele não significa 100 pesquisas nem revela um volume absoluto. Os demais valores são dimensionados em relação ao pico daquela consulta.
Não. O Google Trends mede interesse de pesquisa, não intenção de voto. Uma pessoa pode procurar um candidato por apoio, rejeição, curiosidade, notícias ou diversos outros motivos. Os dados precisam de contexto e não substituem pesquisas eleitorais.
A indicação “Aumento extraordinário” aparece em consultas relacionadas cujo crescimento foi superior a 5.000% no período comparado pelo Google Trends.
O primeiro turno terminou às 17h pelo horário de Brasília, quando também começou a divulgação da apuração. Nos dados analisados pela Agência Henshin, “apuração eleições” e “resultado eleições” atingiram o índice máximo do Google Trends justamente nesse ponto do dia.
O Google Trends pode ajudar a identificar crescimento de interesse, sazonalidade, consultas relacionadas e mudanças rápidas de intenção. Esses dados devem ser combinados com relevância para o negócio, análise de palavras-chave, concorrência, potencial de conversão e qualidade editorial.
Sim. Mecanismos generativos utilizam diferentes formas de recuperação de informações. No caso do Google, a empresa afirma que os fundamentos tradicionais de SEO continuam importantes para AI Overviews e Modo IA. Conteúdo acessível, indexável, confiável e bem estruturado continua sendo essencial para a descoberta.







